Manter a “concentração” em determinado músculo, melhora os resultados? – Treino Mestre – REVISTA VIGOR

Em diversas vezes, podemos ver pessoas incentivando alguém a se concentrar em determinado músculo durante a musculação. Mas será que isso tem algum efeito real? É o que iremos mostrar neste artigo!

Concentrar no músculo

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No geral, um treino de musculação busca causar microlesões nos músculos e com isso, obrigar o corpo a realizar a supercompensação. Para potencializar este processo, temos uma série de possibilidades e situações. Uma das mais comuns, é “concentrar” no músculo que está sendo trabalhado e com isso, tecnicamente, teríamos uma maior solicitação. Mas é muito importante termos a clareza que isso é bastante complexo e que envolve dois sistemas altamente refinados e evoluídos, que são o muscular e o nervoso.

Então, antes de dar uma resposta pronta, é preciso entender que muita coisa está envolvida nisso. Vamos ver o que a ciência nos diz a respeito de concentrar em determinado músculo para aumentar a sua solicitação!

Estudos sobre concentrar em determinado músculo

Antes de falar especificamente dos estudos que falam disso, talvez haja pessoas que não compreendem o que quero dizer com concentrar. Muita gente diz que se você “pensar” no músculo que está sendo trabalhado, sentindo suas contrações de maneira mais concentrada, irá aumentar a sobrecarga.

Antes de qualquer coisa, é muito importante salientar que mesmo os estudos científicos bem feitos, precisam ser avaliados com critério, pois sempre existem limitações e aplicações específicas.

Em um estudo de Calatayud (2015) foram estudados 18 homens treinados, que realizaram 3 repetições de supino reto, usando diferentes cargas: 20, 40, 50, 60 ou 80% de 1RM. Estes, foram instruídos a realizar o movimento naturalmente, buscando ativar mais o músculo peitoral ou o tríceps braquial, através da concentração. Ao final do estudo, foi possível verificar que esta concentração só fazia alguma diferença em termos de solicitação muscular com cargas baixas (de 20-60%). Já em cargas mais elevadas, como a de 80%, a ativação era exatamente igual, independente de qual era o foco da concentração.

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Em outro estudo, De Turpyn (2014) e que foi publicado no renomado European Journal of Applied Physiology, achamos outras situações interessantes. Neste estudo, a força máxima no movimento de flexão plantar foi testada em duas situações distintas.

1) contrair todos os músculos que fossem possíveis;

2) se concentrar para isolar os músculos que realizam a flexão plantar.

Nos resultados, foi possível encontrar alguns dados interessantes. Ao tentar manter a concentração em determinados músculos, houve um decréscimo de força. Em alguns casos, este decréscimo chegou a ser de 40%! Além disso, a ativação dos músculos era cerca de 30% maior no momento em que as pessoas realizavam o movimento sem tentar “concentrar” nos músculos. Os autores concluíram que quando as pessoas pensam em isolar um músculo, aparentemente temos um mecanismo de um estímulo inibitório causado pelo sistema nervoso, que acaba prejudicando a produção de força e a utilização das unidades motoras envolvidas no esforço.

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